Jovens médicos buscam locais com maior desenvolvimento econômico e melhores condições de trabalho

Juliana Temporal 5 minutos

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Um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) analisou os fluxos de migração de egressos de escolas de medicina no país. De acordo com os dados apresentados, o local de graduação não é fator determinante para a fixação de jovens médicos, que tendem a buscar espaço em locais com maior desenvolvimento econômico e melhores condições de trabalho.

O estudo apontou que, após a conquista do diploma, pelo menos um em cada cinco egressos dos cursos de medicina, formados nos últimos três anos, optou por se registrar em uma unidade da federação diferente da que se formou. Segundo o levantamento, é o caso de pelo menos 16.249 recém-formados, dos quase 72 mil novos egressos registrados nos Conselhos Regionais de Medicina entre os anos de 2018 e 2021.

Para o Ex-Presidente do CFM, Milton Ribeiro, a migração interna de médicos é determinada por questões econômicas, sociais e demográficas, e há fatores individuais e profissionais associados à decisão de mudar. Ele avaliou ainda que os dados levantados fragilizam a tese de que a presença de escolas médicas é um motivo de fixação de médicos.

Para atrair médicos às regiões mais afastadas e fixá-los nelas, é preciso oferecer locais com boa estrutura

Com o estudo, o CFM também buscou identificar o percurso dos médicos formados nas chamadas novas escolas, isto é, aquelas abertas a partir de 2010. Nos últimos três anos, 12.947 médicos se formaram nas 103 escolas neste perfil. Dentre eles, 2.491 (19%) buscaram o primeiro registro em unidade federativa diferente da escola de formação.

Segundo Milton Ribeiro, uma década se passou e o pretexto político para a abertura de novas escolas continua o mesmo: o de que ela fixará os profissionais nos rincões do país. Naquela época, o CFM alertou para essa infundada argumentação e, hoje, também insiste: para atrair médicos às regiões mais afastadas e, principalmente, para fixá-los nessas regiões, é preciso oferecer locais com boa estrutura tanto para a formação quanto para a atuação do profissional.

O Ex-Presidente do CFM ressaltou ainda que a principal motivação para os médicos se fixarem em determinado lugar refere-se às condições de trabalho. Em seguida, vem a inserção social do profissional no local e o salário. Para Milton Ribeiro, isso significa que, se não houver investimento para melhorar a infraestrutura dos locais e das condições de atendimento aos pacientes nestas regiões, os futuros médicos não irão se fixar ali.

Pará e Paraíba contam com as maiores proporções de evasão dos jovens egressos

 Mais de 73% dos recém-formados nas escolas médicas do Pará adquiriram seu primeiro registro em outro estado. Da mesma forma, pouco mais da metade (53,3%) dos médicos formados nas novas escolas da Paraíba não se fixaram naquele estado.

Entre os estados com o menor índice de evasão, está o Paraná, com 9% dos novos egressos registrados em outra localidade. Na Bahia, a proporção também foi pequena (9,5%), assim como no Rio Grande do Norte (9,7%).

Sudeste: retenção dos médicos formados na região e “atração” de graduados de outros locais

Os números do estudo também confirmaram que a abertura desenfreada de escolas médicas, sobretudo nos anos de 2013 a 2015, não foi capaz de induzir a permanência de médicos nas chamadas regiões de difícil provimento. Ao contrário dos estados do Norte, que perderam profissionais, no Sudeste, houve retenção dos médicos que ali se formaram e “atração” dos que concluíram graduação em outras localidades.

Durante os últimos três anos, São Paulo formou 12.812 médicos, mas recebeu 16.773 inscritos, ou seja, atraiu um contingente de quase 4 mil médicos formados em outros estados. Por outro lado, Acre, Tocantins e Rondônia perderam mais da metade dos seus egressos.

Norte perdeu mais de 60% dos recém-formados

 O levantamento do CFM constatou que mais de 60% dos médicos, que se formaram em escolas médicas sediadas no Norte do país, nem chegaram a solicitar inscrição nos estados em que se formaram. É o caso do Acre, onde, dos 240 médicos formados desde 2018, 151 (62,9%) não chegaram a se registrar naquela unidade da federação. Em Tocantins, outros 787 (56,7%) médicos que ali se formaram também partiram para outros estados assim que concluíram a graduação.

6,2% transferiram o registro para outro estado antes de completar um ano desde a primeira inscrição

 A análise mostrou ainda que, além daqueles que sequer se inscrevem onde se formaram, pelo menos outros 3.460 indivíduos (6,2%) transferiram o registro para outro estado antes de completar um ano desde a primeira inscrição. Por meio de uma análise de sobrevivência, ramo da estatística que estuda o tempo de duração esperado até a ocorrência de um ou mais eventos, o CFM calculou a probabilidade de um egresso se mudar após a conclusão do curso de graduação. Enquanto as chances, na Região Norte, foram de quase 25%; no Sul e Sudeste, foram próximas a 7%; e no Centro-Oeste e Nordeste, ficaram em 13%.

O Norte se destaca ainda quanto à migração de unidade da federação. Em 12 meses, a chance de um egresso de Rondônia sair para outro estado é de 26%. Esse percentual também é alto no Tocantins (21%), Acre (20%), Amapá (18%) e Roraima (17%). Observa-se com o passar do tempo, que as possibilidades de migração aumentam nestas regiões, aprofundando a desigualdade.

Fonte: Conselho Federal de Medicina

 

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