Empregos no setor saúde crescem durante a pandemia de Covid-19

Juliana Temporal 8 minutos

Folder

Várias áreas da economia sofreram perdas com as medidas de distanciamento e isolamento social para contenção da Covid-19, enquanto que a saúde foi pressionada com demandas cada vez mais urgentes, que resultaram em um crescente volume de contratações. Portanto, é possível afirmar que a pandemia foi um dos principais fatores de impacto para o crescimento de empregos formais na cadeia da saúde.

Com base nos “Relatórios do Emprego na Cadeia Produtiva da Saúde”, publicados pelo IESS – Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, o Universo DOC fez um levantamento no intuito de mostrar esse crescimento. Os dados apurados focaram o ano de 2021, a partir de janeiro quando houve o início da vacinação no Brasil; passando pela segunda e terceira ondas de Covid-19 no país, quando surgiram as variantes gama e delta, respectivamente; e fechando o cenário no final do ano.

Crescimento na área de saúde está ligado diretamente à propagação do coronavírus

 Desde o início da pandemia, em 2020, o crescimento na área de saúde está ligado diretamente à propagação do coronavírus. Em janeiro de 2021, quando houve o início da vacinação no Brasil, dados do IESS (Relatório do Emprego na Cadeia Produtiva da Saúde Edição nº 45) mostraram que o número de pessoas empregadas na cadeia produtiva da saúde foi de 4 milhões e 418 mil, o que correspondeu a um crescimento de 3,0% em relação a outubro de 2020. Na mesma comparação (out/20 a jan/21), o mercado de trabalho total cresceu 2,6%.

De acordo com o Instituto, dos 4 milhões e 418 mil de empregados na cadeia da saúde em janeiro de 2021, 3,4 milhões ou 78% eram vínculos do setor privado com carteira assinada. Essa proporção manteve-se a mesma de dezembro de 2020. Na época, a região que deteve a maior parte dos empregos em saúde (2,2 milhões no total), tanto público quanto privado, foi a Sudeste. As regiões onde a saúde mais cresceu foram Nordeste e Sul, com taxas de 3,7% e 3,4% em três meses, respectivamente. Nessas duas regiões, o crescimento foi puxado pelo setor privado, sendo que, no Nordeste, o crescimento dos empregos privados foi 5,2%, contra 3,1% na média do Brasil. Na região Sudeste, o aumento foi puxado pelo setor público (3,5%).

A segunda onda de coronavírus no Brasil também impactou as estatísticas de emprego

A variante gama, que surgiu na cidade de Manaus em novembro de 2020, foi responsável pela segunda onda de Covid-19 no Brasil e se tornou a principal variante no país dois meses depois. Em janeiro de 2021, o Estado do Amazonas viveu um colapso hospitalar sem comparação à primeira onda, no ano anterior. Mais transmissível e patogênica que as demais linhagens que circulavam até então, a gama causou adoecimento em massa e, de janeiro a maio do ano passado, 280 mil pessoas morreram por causa do coronavírus.

Os empregos na área da saúde mantiveram tendência de alta no país entre os meses de fevereiro a maio de 2021. De acordo com o “Relatório de Emprego na Cadeia Produtiva da Saúde- Edição nº 49”, publicado em maio de 2021, o setor teve aumento de 2,5% (em relação a fevereiro de 2021) no número de contratações, totalizando 4.558.895 profissionais empregados somando os setores público e privado. Na mesma comparação, o mercado de trabalho total cresceu 1,5%. O impacto positivo da cadeia saúde sobre a economia é evidenciado quando retira-se os empregos gerados nesse setor e obtém-se um crescimento do emprego no restante da economia de 1,3%.

Segundo o IESS, dos 4 milhões e 558 mil de empregados na cadeia da saúde em maio de 2021, 3,6 milhões ou 79% eram vínculos do setor privado com carteira assinada. Essa proporção está um ponto percentual acima da de fevereiro de 2021. A região que deteve a maior parte dos empregos na cadeia da saúde (2,3 milhões no total), tanto público quanto privado, foi a Sudeste. As regiões onde a cadeia da saúde mais cresceu foram Sudeste e Centro-Oeste, ambas com taxa de 2,8% em três meses. No Centro-Oeste, o crescimento do setor de saúde foi tão acentuado que, ao retirar o emprego desse setor do emprego total da economia, a variação se torna negativa (de +1,9% para -1,8%). Sudeste e Centro-Oeste foram as duas únicas regiões que o setor público teve variação positiva do emprego. Na média, a cadeia da saúde cresceu 2,5%, sendo que o setor público teve queda de 0,7% e o privado cresceu 3,3%.

Impacto da variante delta foi diferente no Brasil, mas empregos continuaram crescendo

A variante delta, identificada pela primeira vez no final de 2020, causou uma explosão de casos e de mortes na Índia e em países com vacinação mais avançada, como Estados Unidos e Reino Unido. Em julho de 2021, quando a variante chegou ao Brasil, as autoridades sanitárias temiam que a delta causasse forte impacto e piora da pandemia no país. No entanto, embora tenha havido registros da variante, os dados mostraram um arrefecimento da pandemia, com menos casos, internações e mortes. Especialistas apontaram que a manutenção das medidas de higienização, o uso de máscaras, o avanço da vacinação e o histórico de pessoas já infectadas (mesmo com grau de imunidade de curta duração) ajudaram a combater a variante delta no Brasil.

Dados do “Relatório do Emprego na Cadeia Produtiva da Saúde – Edição nº 53” evidenciaram que, em setembro de 2021, o número de pessoas empregadas na cadeia produtiva da saúde foi de 4 milhões e 624 mil, considerando setor público e privado e empregos diretos e indiretos. Esse montante resulta do crescimento de 1,2% em relação a junho de 2021. Na mesma comparação, o mercado de trabalho total cresceu 2,4%.

Dos 4 milhões e 624 mil de empregados na cadeia da saúde em setembro de 2021, 3,6 milhões ou 79% eram vínculos do setor privado com carteira assinada. Essa proporção manteve-se a mesma de junho de 2021. A região que deteve a maior parte dos empregos na cadeia da saúde (2,3 milhões no total), tanto público quanto privado, foi a Sudeste. As regiões onde a cadeia da saúde mais cresceu foram Norte e Nordeste, com taxas de 3,7% e 1,3%, respectivamente, em três meses. O setor público teve maiores variações também nessas regiões: na Norte, foi de 6,6% e, na Nordeste, foi 3,5%. Na média, a cadeia da saúde cresceu 1,2%, sendo que o setor público cresceu 2,0% e o privado cresceu 0,9%.

Pandemia manteve empregos aquecidos na saúde, reforçando a importância do setor para a geração de postos de trabalho

Após o primeiro semestre muito difícil, com centenas de milhares de casos e de mortes por Covid-19, o Brasil chegou a uma situação bem mais tranquila no fim de 2021. O número de casos e internações reduziu. Alguns Estados chegaram a não registrar óbitos por Covid-19 durante alguns dias de novembro e dezembro. O cenário mais ameno permitiu que muitas cidades brasileiras aliviassem as restrições. Alguns prefeitos e governadores chegaram a desobrigar o uso de máscaras em locais abertos. O Brasil atingiu a marca de 80% de sua população vacinada com duas doses e também começou a oferecer a dose de reforço da vacina contra Covid-19. No entanto, no dia 25 de novembro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou a variante ômicron, detectada na África do Sul, que entrou na categoria de variante de preocupação por ser considerada mais transmissível que a cepa original do SARS-CoV-2. A nova variante acendeu o alerta para a necessidade de manter os cuidados e mostrou que a pandemia não havia acabado.

Segundo o “Relatório do Emprego na Cadeia Produtiva da Saúde – Edição nº 54”, em novembro de 2021, o número de pessoas empregadas na cadeia produtiva da saúde foi de 4 milhões e 652 mil, considerando setor público e privado e empregos diretos e indiretos. Esse montante resulta do crescimento de 0,6% em relação a agosto de 2021. Na mesma comparação, o mercado de trabalho total ficou estável (0,0%).

O relatório apontou ainda que, dos 4 milhões e 652 mil de empregados na cadeia da saúde em novembro de 2021, 3,6 milhões ou 79% eram vínculos do setor privado com carteira assinada. Essa proporção manteve-se a mesma de outubro de 2021. A região que deteve a maior parte dos empregos na cadeia da saúde (2,3 milhões no total) foi a Sudeste. Na média, a cadeia da saúde cresceu 0,6%, sendo que o setor público cresceu 0,7% e o privado cresceu 0,6%. As regiões onde a cadeia da saúde mais cresceu foram Nordeste e Sul, com taxas de 1,9% e 1,0%, respectivamente, em três meses. O setor público teve maiores variações na região Nordeste (5,1%) e na Norte (1,0%).

Fonte: IESS – Instituto de Estudos de Saúde Suplementar

 

Faça parte da nossa Newsletter e receba assuntos exclusivos
para impulsionar sua carreira médica.

 

 

x

Revista DOC nova edição

100% Gratuita

Faça seu download já