Mulheres à frente da Medicina

Folder

Uma conversa sobre desafios e conquistas das mulheres que se destacam em suas áreas de atuação. 

Em 8 de março, comemoramos o Dia Internacional das Mulheres. Apesar de se tratar de uma data comemorativa, ela também é uma forma de simbolizar anos de luta da população feminina. De início, essa luta se relacionava diretamente com a busca por igualdade salarial. Posteriormente, notou-se também a importância de tratar assuntos como o machismo e o preconceito com a mulher dentro da sociedade e sobretudo no âmbito profissional.

É de conhecimento geral que na Medicina as mulheres já conquistaram seu espaço e, inclusive, estão ultrapassando a quantidade de homens na profissão. Em um intervalo de cem anos – entre 1920 e 2020, a quantidade de mulheres na Medicina mais que dobrou, tendo passado de 21,5% para 46,6%. Apesar disso, ainda notamos uma distribuição desigual entre os gêneros nos cargos mais altos e nas lideranças. Também se nota um menor reconhecimento do trabalho feito pela mulher.

Para compreender melhor essa realidade, conversamos com Rosana Ritchmann e Magali Maia, duas mulheres que obtiveram destaque na Medicina. Elas nos contaram um pouco sobre suas trajetórias até alcançarem lugares que, ainda hoje, são em sua maioria ocupados pela população masculina.

Rosana, com sua experiência na área de Infectologia, tem grande destaque na Medicina, além de ter sido convidada inclusive para estar presente no anúncio da primeira vacina contra a Covid-19 com uso autorizado no Brasil. Como um dos nomes mais relevantes na Medicina atualmente, ela é infectologista há mais de 35 anos. Ao longo de sua carreira, já passou por diversos desafios, como a pandemia de H1N1, o zika, o HIV e, mais recentemente, o coronavírus.

Já Magali é diretora operacional do Norte D’or, uma das unidades da Rede D’or no Rio de Janeiro, ocupando um cargo não tão convencional – ainda – para as mulheres. Formada há 33 anos, ela conta que ao longo de sua carreira foi desenvolvendo a vontade de tornar sua rotina mais organizada e, aos poucos, foi transferindo esses hábitos para a clínica em que trabalhava e depois para o hospital. “Sempre fui uma personalidade criativa, de liderança entre meus colegas e familiares”, pontua.

Desafios para se destacar

Apesar de hoje no Brasil as mulheres terem conquistado seu espaço na Medicina, ainda existem desafios que elas precisam enfrentar para se destacarem em suas áreas.  Para Rosana, os maiores desafios na carreira foram conciliar profissão e tarefas domésticas, especialmente para sua geração. “Ter marido, filhos, família, amigos e pacientes e dar a devida atenção necessária a todos é muito desafiador”, relata.

Para Magali, não foi diferente. “O maior desafio foi aceitar as minhas limitações de tempo, de interesses e de entregas. Em uma fase de minha carreira, eu lutava para ser a melhor diretora, a melhor mãe, a melhor médica, a melhor esposa e a melhor amiga”, explica.

Destacar-se profissionalmente pode ser muito desafiador quando há tantas outras funções que devem ser desempenhadas com êxito. Mesmo assim, as mulheres também estão dispostas a dedicarem seus esforços em prol de seu sucesso profissional. Caminhar para o maior reconhecimento desse fato é um passo importante nessa luta e o destaque de cada uma é um fator que impulsiona essa conquista.

Como citado anteriormente, Rosana foi convidada para participar do anúncio da primeira vacina contra a Covid-19 com uso autorizado no Brasil. Entre uma série de homens, ela foi a única mulher presente, embora outras também estejam por trás dessa conquista. “Já somos e seremos cada vez mais frequentes na Medicina. O ‘cuidar’, tem muita afinidade com a essência feminina. Porém, quando analisamos os cargos de chefia e os autores principais de estudos científicos, quem prevalece são os homens. Já havia falado uma vez que nós mulheres ‘carregamos o piano’ da pesquisa e os louros vão para os homens”, declara.

Importância do olhar feminino

Além de atuarem em suas áreas com seriedade e comprometimento, do modo que se espera de um bom profissional, geralmente as mulheres oferecem um olhar diferenciado sobre as questões que as rodeiam. Em sua atuação durante a pandemia de Covid-19, Rosana buscou orientar outras mulheres a respeito da importância da vacinação para as gestantes, por exemplo. “O olhar feminino sem dúvida traz uma sensação de acolhimento. Isso é o que mais precisamos em um momento pandêmico e repleto de incertezas. Passar confiança e acolhimento é o que faz a diferença”, afirma.

Para Magali, o olhar feminino também faz diferença. Ela conta que busca sempre pautar suas decisões em pessoas, promovendo projetos de apoio religioso e espaço do colaborador, por exemplo. “Acho que apesar de a formação acadêmica ser igual entre homens e mulheres, trazemos sempre à discussão o bem-estar, o conforto e o acolhimento dentro do cenário proposto. Nós, mulheres, em conceitos gerais, temos uma organização mental menos cartesiana, menos direta, sem dizer com isso ser sonhadora e irracional”, explica.

Mulheres que inspiram

O Dia Internacional das Mulheres surge como símbolo da luta do público feminino por igualdade ao longo da história. E essa história não teve fim: assim como tantas outras lutaram para que hoje fosse possível ocupar seus espaços no mercado, a história de cada uma serve como um gancho para que as demais se inspirem e ocupem lugares que ainda não são tão democráticos.

 

Faça parte da nossa Newsletter e receba assuntos exclusivos
para impulsionar sua carreira médica.

x

Revista DOC nova edição

100% Gratuita

Faça seu download já