Redes sociais são para os médicos?

Juliana Temporal 5 minutos

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Atualmente, as redes sociais estão muito presentes e influenciam no dia a dia das pessoas. Na área de saúde, elas podem ser grandes aliadas de médicos, clínicas e hospitais que queiram ampliar sua atuação. Ao mesmo tempo, elas também possibilitam que os pacientes conheçam o trabalho dos profissionais e os serviços oferecidos. Cada vez mais, os médicos têm presença digital nas redes sociais. Hoje, elas são importantes redes de relacionamento com o paciente. No entanto, todo cuidado é pouco nesse relacionamento. Estar numa rede social também significa se expor à opinião pública e ter que lidar com gerenciamento de crise.

Para Alice Selles, Diretora da Selles Comunicação, o médico deve estar presente profissionalmente em alguma rede social, em qual delas vai depender dos seus objetivos e nicho de mercado. Em relação à necessidade ou não de contratar uma agência para cuidar das redes sociais do médico, a especialista afirmou que a maior dificuldade de fazer o trabalho sozinho é que o médico vai precisar se dedicar, em média, duas horas por semana para isso.

– O que acontece é que a disciplina se perde com as atribulações do dia a dia. Para contratar um profissional ou agência, o cuidado deve ser com a reputação e a experiência na área, pois marketing médico é diferente de marketing de varejo. Já vi médico sendo surpreendido com post que achava que era seu e tinha sido copiado de outro. E isso causa muito constrangimento – enfatizou.

O que estabelece o Manual de Publicidade Médica do CFM

Quando se fala em marketing digital, redes sociais e divulgação, os médicos precisam conhecer as regras de publicidade, estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo o Manual de Publicidade Médica, é vedado aos médicos realizar divulgação nas redes sociais e em qualquer mídia de forma sensacionalista; divulgar tratamento não reconhecido pela comunidade científica; conceder entrevista para se autopromover; expor a imagem do paciente para divulgar técnica, método ou resultado de tratamento, mesmo com autorização expressa deste; participar de anúncios comerciais; entre outras regras. O médico deve anunciar serviços informando nome, especialidade, número de registro no CRM e o RQE (Registro de Qualificação de Especialista). Em anúncios de pessoa jurídica, deve-se incluir o nome do diretor-técnico da instituição, com a respectiva inscrição no CRM e o RQE. A divulgação em site é permitida pelo CFM, desde que as informações sejam feitas com seriedade e profissionalismo. A criação de blog também é permitida desde que utilizado para divulgação de conteúdo científico, preventivo ou educativo. As redes sociais podem ser utilizadas por médicos e clínicas, mas os perfis não podem focar na “venda” dos serviços. Selfies em situações de trabalho e atendimento são proibidas pelas regras de publicidade médica.

O que o médico deve saber para ter redes sociais

  • Além de permitir interação, as redes sociais são capazes de difundir rapidamente as informações (boas e ruins). Portanto, para uma boa reputação, fique atento a algumas questões:
  • Publique conteúdos relevantes e com periodicidade regular, mantendo o perfil atraente e atualizado;
  • Conheça o seu público-alvo e entenda como ele utiliza a rede social, isso é fundamental para criar o conteúdo do seu perfil;
  • Escolha a rede social a ser usada de acordo com seu público, sendo importante avaliar qual delas vale a pena investir para a divulgação do seu trabalho. As principais redes utilizadas pelos médicos atualmente são Facebook, Instagram, Twitter e Youtube;
  • O monitoramento das redes sociais deve ser constante e, preferencialmente, realizado por um profissional especializado em marketing médico;
  • Os pacientes podem avaliar o seu serviço e ainda fazer comentários. Não deixe o paciente “falando sozinho”, responda e interaja. Agilidade é essencial, pois uma notícia falsa ou uma reclamação podem viralizar rapidamente;
  • Tenha atenção ao conteúdo publicado, não apenas em relação à parte técnica, mas também aos erros de português;
  • No caso de médicos, é indicado que eles mantenham um perfil pessoal separado do profissional;
  • De acordo com o CFM, as redes sociais podem ser utilizadas por médicos e clínicas, mas os perfis não podem focar na “venda” dos serviços;
  • Segundo o Manual de Publicidade Médica, é vedado ao médico usar expressões como “o melhor”, “o mais eficiente”, “o único capacitado”, “resultado garantido” e outras com o mesmo sentido;
  • Selfies em situações de trabalho e atendimento são proibidas pelas regras de publicidade médica;
  • Lembre-se que as informações compartilhadas em consultório médico são sigilosas. Portanto, preserve a imagem e os dados dos seus pacientes e não os divulgue nas redes sociais, pois o Manual de Publicidade Médica proíbe essa prática e ainda há as regras da LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados.

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