Que todo dia seja dia da melhor Medicina

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No dia 18 de outubro comemorou-se o Dia do Médico. Melhor dizendo, seria o Dia da Medicina, uma profissão que se pode comemorar quase todo dia. Cada solução, cada cura, cada alívio. Tive o prazer de vivenciar durante 46 anos (entrei para a faculdade em 1975) um acelerado progresso, com uma maravilhosa incorporação sucessiva de novas técnicas de prevenção, diagnóstico e tratamento que nos levam a imaginar como estaremos em mais 50 anos.

Devemos valorizar efusivamente nosso “tempo médico” atual, pois muitas pessoas estão vivendo mais e melhor por terem se beneficiado de recursos recentes, como exames laboratoriais, tomografias, endoscopias, medicamentos, cirurgias etc. Todos os campos e especialidades passaram por notáveis revoluções.

Entretanto, é importante nos lembrarmos dos limites e dificuldades do passado para que saibamos usufruir da crescente longevidade saudável, mantendo tolerância às situações clínicas ainda não resolvidas. Exigir perfeição pode ser um erro, embora tê-la como meta seja obrigação. Tristeza apenas em ainda não termos estendido tal bom serviço a toda a população do planeta. Mas avançamos muito, e as novas gerações hão de seguir nessa tarefa. O ágil combate à pandemia é um dos exemplos desse crescente acesso. Cuidar da saúde é um ótimo negócio em todos os sentidos; há apenas que se controlar a ganância, algo bem difícil de se delimitar.

Soa essencial entender que a prática da Medicina Assistencial seja artesanal e pessoal, e sempre profundamente humanizada. Afinal, seu objeto é o ser humano, e manter competência técnica, empatia e disponibilidade é pré-requisito profissional. Alguns podem pensar que Medicina se resuma a “fazer diagnóstico” e “indicar ou realizar tratamentos”. É pouco! Na verdade, sua eficácia depende do desenvolvimento em cada médico de significativa capacidade de convencer e motivar o paciente a mudar hábitos, aceitar medicações e enfrentar cirurgias, enfim, incorporar a terapêutica indicada. E isso ocorre “olho no olho” – ou seria através de telas?

Há ameaça à Medicina? Apenas a tentativa (totalmente vazia de sentido!) de entidades públicas e privadas de inibirem a liberdade de escolha do paciente, cuja confiança e admiração representam a maior força conectora e geradora de motivação e dedicação dos médicos a seus pacientes. Tal meta deletéria os limitaria a esperarem obter somente recompensa material, opção muito pobre para tão nobre atividade.

Fora isso, confiemos em uma profissão cada vez mais conectada com as necessidades humanas e resistente às arriscadas distorções embutidas no necessário processo de administração, organização e ampliação para alcançar, com máxima qualidade, cada vez mais cidadãos conscientes, exigentes e críticos.

Marcos Sarvat, médico, otorrinolaringologista (RJ)

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