Ligas acadêmicas: diferencial no currículo do estudante

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Dentro do contexto das faculdades de Medicina no Brasil, hoje em dia, se estuda, em média, por seis anos, sendo que os dois últimos são de estágio prático em internato, restando quatro anos para se aprender a base da Medicina e todo o universo de doenças mais frequentes e prevalentes. A carga horária e o conteúdo são muito extensos e, por vezes, não é possível se aprofundar em todos os temas. Portanto, as ligas acadêmicas funcionam possibilitando o aprofundamento no estudo de temas específicos.

Segundo Gabriel Benchimol, estudante da Universidade Estácio de Sá (Unesa-RJ), no Rio de Janeiro, e presidente da Associação Brasileira das Ligas Acadêmicas de Oftalmologia (Ablao), as ligas acontecem por uma estrutura de diretoria e de ligantes, que organizam encontros para se estudar sobre alguma especialidade médica e acompanhar atividades práticas. Patrick Guimarães, cirurgião geral do Hospital Memorial e médico do serviço de Cirurgia Geral do Hospital Municipal Lourenço Jorge, Rio de Janeiro, explica que as ligas possuem presidente, vice-presidente e demais funções, como, por exemplo, responsáveis pelas finanças, pelo desenvolvimento de projetos, comunicação etc.

“A estrutura da liga é baseada no tripé universitário, de ensino, pesquisa e extensão. Portanto, elas estimulam a pesquisa através de preparo de grupos de trabalhos, pôsteres para congressos científicos e, muitas vezes, criam projetos de extensão comunitária para fazer intervenções e educar a população”, define Benchimol. Guimarães complementa que os principais objetivos e ações da liga envolvem promoção de eventos, muitas vezes eventos participativos, cursos, palestra, aulas e, às vezes, alguns trabalhos como acompanhando em hospitais, para poder promover a liga e divulgar um pouco mais a área específica em que se está trabalhando.

Traçando o futuro profissional

A participação em uma liga acadêmica é um diferencial importante no currículo acadêmico, principalmente no fato de que muitos serviços de residência, durante a pontuação para arguição de currículo, consideram diretamente a participação em liga acadêmica, tanto como ouvinte quanto como diretor.

Gabriel Benchimol também destaca que uma liga acadêmica pode ajudar o aluno a ter um estágio prático, estimular pesquisa e produção de trabalhos científicos para serem apresentados em congressos, aproximar-se de colegas que têm o mesmo interesse, e, ainda, desenvolver projetos de extensão comunitária. “São fatores que por si só também dão pontos para a prova de residência, mas, acima de tudo, agregam experiência e conhecimento ao candidato a residência”, reforça.

Patrick Guimarães também ressalta a importância de participar de uma liga e promover atividades, pois além de agregar conhecimento, possibilita um currículo mais fortalecido. “Uma vez que se faz uma prova de residência para entrar em qualquer especialização, caso o candidato tenha um currículo de destaque com todos os requisitos necessários, é possível ter uma pontuação aumentada. Não apenas isso, mas a participação de eventos, por exemplo, fortalece o networking e ajuda a estruturar cada vez mais o currículo, englobando sua carreira e fortalecendo o profissional que você vai se tornando”, aborda.

Como atual diretor da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Unesa-RJ e presidente da Ablao, Benchimol avalia que a experiência lhe permite um contato próximo com colegas do mesmo interesse, bem como desenvolver habilidades de liderança, de trabalho em equipe, estipulação de cronogramas, metas e organização de eventos. “São habilidades interpessoais que objetivamente não se aprendem na faculdade, mas que são aperfeiçoadas quando gerenciamos uma liga para diversas pessoas, agregando valor para a experiência acadêmica”, sustenta. “Também é algo que agrega muito para mim como futuro médico e como futuro gestor de clínica. Dessa forma, todo o tempo empreendido nesse sentido é visto como um bom investimento”, considera.

Já Patrick Guimarães relata que sempre teve muita presença nas ligas durante a faculdade, tendo feito parte das ligas de Neurologia e Neurocirurgia, fundado uma liga de Medicina do Esporte e sido presidente da liga de cirurgia geral de sua faculdade. “No último caso, foi um aprendizado ainda maior, pois foi o momento em que eu estava decidido a fazer cirurgia geral, então comecei a ganhar confiança em seguir nessa área. O aprendizado também se estendeu na possibilidade de começar a ter vivência em hospitais e acompanhar plantões”, declara.

Apesar de ter participado bastante de ligas, ele pontua que gostaria de ter sido ainda mais presente, pois o aprendizado é enriquecedor, além de proporcionar novas amizades. “Inclusive, depois de formado, tenho tido oportunidades de dar palestras em ligas de diversas faculdades, mantendo um aprendizado mútuo, tentando compartilhar conhecimento com alunos e conseguir também absorver deles, quando há possibilidade de interação entre as duas partes”, sustenta.

Gabriel Benchimol também enfatiza que acha importante as faculdades disponibilizarem de forma clara quais são as ligas presentes na instituição, horários e plataformas ou espaços para encontros, porém, por outro lado, o interesse e a escolha em participar de alguma liga também deve vir do estudante. “Afinal, quando fazemos algo por escolha, por nosso interesse, a minha opinião é que a atividade é mais fluida e rende melhor na experiência proveitosa durante a participação na liga”, afirma.

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