Ensinamentos da mulher de Cesar e das corujas para não fazer feio nas mídias sociais

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O célebre ditado que atravessou séculos nos traz uma reflexão nos dias de hoje sobre a exposição nas mídias sociais. Pompeia, esposa do ditador romano, no ano de 63 antes de Cristo, promoveu um encontro só para mulheres, mas o político populista, sempre os populistas, Clódio, disfarçado de mulher, entrou na festa e tentou seduzir a companheira de Cesar. Ele foi processado por sacrilégio, mas absolvido no julgamento. Estranhamente, o ditador não apresentou nenhuma evidência contra Clódio, mas separou-se de Pompeia. Cesar teria afirmado que “a minha esposa não deve estar nem sob suspeita”. Deixando a atitude machista de lado nessa reflexão, o fato deu origem ao provérbio: “a mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”.

Por trás do dito popular sempre estão situações onde não basta dizer, pregar ou defender conceitos, é preciso dar o exemplo com atitudes próprias. Nas mídias sociais, os profissionais de saúde enfrentam tal dilema. Muitas vezes se expõem em ambientes onde estão familiares, amigos e pacientes. Ora postagens são sobre atividades profissionais, como a participação em uma palestra online, ora degustando um vinho entre amigos. Mas qual é o limite entre o profissional e o pessoal?

Tênue demais e com inúmeras interpretações e até julgamentos que podem trazer prejuízos para uma carreira profissional. Imaginem um médico indicando restrições alimentares a um paciente por conta do colesterol elevado e todo o sábado degustando deliciosas feijoadas regadas a muitas caipirinhas. Além disso, os profissionais de saúde possuem certa autoridade na sociedade e publicações podem se tornar uma regra para quem as lê.

Em qualquer mídia social é essencial deixar tudo muito cristalino e devidamente separado. Se o profissional de saúde tiver perfis nos mais importantes aplicativos, direcione os posts profissionais sobre participação em eventos, aulas, comentários sobre estudos para o Linkedin e/ou Twitter. Para o Instagram e Facebook deixe postagens mais sociais sobre a vida e hobbies, desde que nesses ambientes a lista de seguidores seja restrita a familiares e amigos. Se os clientes também estiverem por lá, opte por postar apenas dicas de saúde e temas relacionados a sua área de atuação, porém em linguagem simples e acessível a qualquer pessoa.

Outra opção é criar perfis distintos para o Instagram e Facebook. Em um deles, com amigos e familiares, publicar temas mais pessoais e, no outro, com perfil mais aberto, as postagens sejam mais de orientação ou reflexão. Em perfis muitos amplos, a recomendação é não exprimir opiniões políticas, religiosas ou qualquer outra que possa gerar polêmica. A exceção são aquelas em defesa da ciência e da medicina, lógico, temas inerentes ao exercício da profissão.

Outra alternativa ainda é ter dois perfis no Instagram e Facebook, onde um seja totalmente profissional onde os seguidores serão os pacientes e pessoas relacionadas ao trabalho e o outro pessoal onde os amigos serão, de fato, de um círculo mais restrito.

Nos dias de hoje é importante estar nas mídias sociais, porém mais essencial é comunicar de forma adequada nelas. Mas e a coruja no título deste artigo, o que tem a ver com a mulher de César e com a Medicina? Bem, a coruja é sinônimo de sabedoria e na roça um outro dito popular, não tão antigo quanto o provérbio do ditador romano, remete a importância de comemorar as próprias conquistas.

Clientes gostam de saber que o seu médico recebeu uma homenagem, que proferiu uma palestra ou que deu uma entrevista a uma emissora de TV. “Coruja gaba no toco”, ou seja, é orgulhosa de seus feitos e desde que sob medida, não há problema algum em um pouco de “autopromoção”, desde que verdadeira. Tendo que ser e parecer honesto.

 

José Roberto Luchetti é jornalista, escritor e sócio da DOC Press. Trabalhou nas emissoras Globo, Band e Rede Mulher, além da rádio Eldorado (atual rádio Estadão).

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