Como desenvolver um artigo científico?

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Terminar a faculdade ou a residência não precisa, necessariamente, ser o fim do contato com o universo acadêmico. Pelo contrário: para as carreiras na área da Saúde, é essencial estar sempre envolvido em pesquisas e, principalmente, publicando artigos científicos.

Essas publicações, além de servirem como portfólio para o profissional, também permitem que seu conhecimento científico seja compartilhado publicamente, possibilitando que este seja citado e utilizado por outros médicos ou pesquisadores de outras áreas de atuação.

Para que um artigo seja publicado, algumas qualidades são requeridas, como tema, que deve ser relevante; pesquisa, que deve ser de qualidade; e relato, que deve ser bem-feito. Mas nem todos têm facilidade em produzir esse tipo de conteúdo. Por isso, o Universo DOC reuniu algumas dicas para auxiliá-lo a construir seus textos. Confira!

1. Escolha o seu objetivo para o artigo

Escrever um texto não é uma tarefa simples. Por isso, quanto mais claro e coeso for o seu objetivo, melhor será o seu desempenho. Além disso, maiores serão suas chances de alcançar as qualidades de um bom texto, que seja conciso e que tenha uma sequência lógica. Uma boa maneira para definir o objetivo de sua pesquisa científica é formular perguntas do tipo “Existe associação entre a doença X e a doença Y? Qual é o efeito disso? Quais são as evidências dessa associação entre doenças?”.

2. Pesquise e escolha para qual periódico vai encaminhar o texto

Existem milhares de revistas, jornais e outros tipos de periódicos científicos que abrangem diversas áreas do conhecimento. Mais do que isso, há também hierarquias entre eles (a indexação do periódico em bases de dados de prestígio, o número de citações recebidas pelo periódico e o idioma de publicação), com base na influência que tenham na comunidade científica. Quanto mais familiaridades com esses critérios, maiores e melhores serão suas possibilidades de escolha. Mas atenção: em periódicos de grande prestígio, que são os mais procurados pelos autores, a proporção de recusas é maior. Portanto, isso também deve ser considerado, bem como o fato de que um periódico não tão prestigiado pode alcançar o público que você deseja.

3. Atente-se a tudo que esse periódico fornecer para facilitar sua redação

Assim que você escolher para qual desses periódicos será encaminhado o seu artigo, foque imediatamente em ler as instruções para autores. Além disso, inspecione os números recentes do periódico para ter noção do perfil dos artigos que costumam ser postados por lá.

4. Pense na estrutura do artigo

Qualquer comunicação, oral ou escrita, tem sequência lógica. Geralmente essa sequência é formada por introdução, desenvolvimento e conclusão. Mas, em muitos artigos científicos, os autores adotam uma divisão baseada em introdução, método, resultados e discussão. Esse estilo é defendido por muitos editores e leitores por ser considerado mais útil e permitir uma compreensão melhor do conteúdo. Para escrever cada uma dessas partes, é interessante elaborar perguntas-chaves:

  • Introdução (apresentação de informações sobre o tema, a justificativa para a investigação e o objetivo) – De que se trata o estudo? Por que a investigação foi feita? O que se sabia sobre o assunto?
  • Método (descrição do tipo de estudo, do cenário da pesquisa, da amostra, dos procedimentos e dos aspectos éticos) – Como o estudo foi realizado?
  • Resultados (apresentação dos achados, acompanhados da respectiva análise estatística, se aplicável) – O que foi encontrado? Quais são os fatos revelados pela investigação?
  • Discussão (interpretação dos resultados, comparações e conclusão) – O que significam os achados apresentados? O que este estudo acrescenta ao que já se sabia sobre o assunto?

5. Revise quantas vezes achar necessário

Assegure-se de que as palavras utilizadas reflitam corretamente o que você quis relatar e se está alinhado ao seu objetivo para esse artigo. Confirme números, reveja a ortografia e corrija possíveis erros ortográficos e retire repetições. Consultar um profissional da área de Letras também é uma ótima opção. Escolha alguém que possa dar-lhe assistência em questões gramaticais, mas sem mudar seu estilo. Nesses casos, recomenda-se que o auxílio seja reconhecido na parte de agradecimentos, desde que a pessoa envolvida concorde em ter seu nome citado.

6. Verifique se o conteúdo está metodologicamente correto

Não se esqueça: seu texto será avaliado e disputará espaço nos periódicos com outros artigos. Por isso, se você deseja atingir o sucesso, tente manter a alta qualidade, principalmente no que diz respeito à parte metodológica.

7. É chegada a hora: submeta seu artigo à publicação

Antes de qualquer providência, releia as instruções do periódico escolhido aos autores. Certifique-se de que você está seguindo estritamente o que lhe foi orientado. Quando o artigo destoa de tais regras, possivelmente demorará mais tempo para ser publicado, correndo o risco, ainda, de ser recusado. Novamente: tenha sempre em mente que seu artigo competirá com muitos outros.

No site da revista ou do jornal, é possível encontrar quais documentos devem acompanhar a submissão do texto. Em seguida, ele passará pelo crivo de especialistas (em sua maioria familiarizados com o tema da pesquisa e com a metodologia).

8. Depois de submetido, é preciso saber lidar com os editores e revisores

O veredito sobre o seu artigo pode ser rápido ou demorar semanas e até meses. Além disso, esse veredito pode ser de aceitação ou recusa. É importante se preparar para todos os cenários. Em casos em que a resposta estiver demorando, vale a pena escrever uma mensagem ao editor, solicitando esclarecimentos sobre o andamento da avaliação.

Em caso de aceitação, o caminho é mais simples: basta adaptar seu material às sugestões dos revisores. Se a decisão for pela recusa, resta-lhe a serenidade. Lembre-se que não há espaço na revista para todos os artigos submetidos. E isso não significa que a qualidade de seu texto está ruim: talvez outro periódico possa aceitá-lo. Evite pedir explicações adicionais ao editor, pois elas raramente são dadas.

Fonte: Pereira MG. Epidemiol Serv Saúde. 2017;26(3):661-664

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