Médicos e operadoras de saúde: uma relação sob análise

Médicos de consultório que abrem mão dos convênios e acreditam que uma boa relação com o paciente é o caminho para o sucesso na carreira

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Há tempos, os médicos de consultório se perguntam se vale ou não a pena credenciar-se a operadoras de saúde. A resposta para essa pergunta depende muito de seus objetivos e metas profissionais.

Uma pesquisa realizada em 2018 pelo Instituto Datafolha revelou que 9 entre 10 médicos entrevistados acreditam que há interferência dos planos de saúde em sua autonomia profissional, como nomear auditores em caso de solicitações de exames e glosar procedimentos ou medidas terapêuticas. Os principais problemas relatados pelos médicos nesta pesquisa foram:

  • Não pagamento de determinados procedimentos
  • Restrições a doenças preexistentes
  • Solicitação de exames para o diagnóstico
  • Número de exames ou procedimentos
  • Prescrição de medicamento de alto custo
  • Período de internação pós-operatório
  • Tempo de internação de pacientes

Remuneração: diferenças entre os convênios e o atendimento particular

Além dos fatores acima, um dos principais motivos dessa relação por vezes conturbada é o fator financeiro, uma vez que o valor médio pago aos médicos por uma consulta é considerado insuficiente pelos profissionais. Por isso, para alguns médicos, trilhar este caminho sozinho, sem a supervisão das operadoras, aumenta a liberdade na relação médico-paciente e indicam estar mais próximo do êxito profissional.

Para Gilda Paoliello, psiquiatra e professora de Ciências Médicas da Faculdade IPEMED, sua aversão às operadoras de saúde se dá principalmente por conta da baixa remuneração, mas também em seu impacto no relacionamento com os pacientes. “Durante a graduação percebi que os colegas recebiam uma remuneração insuficiente das seguradoras e vi que isso poderia influenciar negativamente a maneira de atender os meus pacientes. Chego a recusar pacientes quando atinjo uma certa quantidade de atendimentos por dia. É uma maneira de respeitá-los e a mim também como profissional”, defende.

Importância do atendimento personalizado

Um dos maiores benefícios relatados pelos médicos que realizam apenas atendimentos particulares, é a flexibilização da agenda. Enquanto nas operadoras de saúde, o médico precisa cumprir um determinado número de consultas diárias e acaba por não dar atenção suficiente a cada um de seus pacientes, nas consultas particulares, o atendimento pode ser personalizado, com foco total no paciente.

De acordo com o neurologista André Gustavo Lima, a consulta particular possibilita a realização de um dos maiores propósitos dos profissionais de saúde: conquistar e fidelizar pacientes. “A Neurologia é uma área que pede muitos exames e requer um tempo a mais de consulta. É difícil atender um número muito grande de pacientes por dia porque faço um exame mais apurado. Tenho pacientes do posto de saúde que preferem pagar pela consulta no consultório pelas vantagens que ofereço, como pela variabilidade de horários e por uma sala de espera mais adequada. Ficar preso aos esquemas das operadoras não combina comigo”, afirma.

Adeus burocracia!

Trabalhar com atendimentos particulares diminui as dores de cabeça tão comuns aos médicos que estão credenciados as operadoras de saúde. Não há exigências de documentos e comprovações de cada consulta ou atendimento, tudo é muito mais simples e o recebimento acontece na hora.

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