Dilemas éticos no tratamento à Covid-19

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Tratamento a pacientes terminais, vacinação, falhas médicas e Covid-19. Esses foram alguns dos diversos temas abordados pela pesquisa Dilemas éticos na Medicina: Brasil 2020, do MedScape. Divulgada em 2020, a pesquisa revela a opinião de 2.301 médicos sobre questões de cunho polêmico na profissão. Como a maior parte de seus dados foi coletada antes da pandemia de Covid-19, o MedScape realizou um estudo complementar com outros 510 profissionais. Veja, a seguir, alguns dos principais dilemas enfrentados durante a crise relacionada ao novo coronavírus.

Equipamentos de proteção individual (EPIs)

Dos médicos entrevistados sobre os dilemas éticos enfrentados durante a pandemia, 42% disseram estar envolvidos no tratamento dos pacientes infectados. Nesse contexto, 21% informaram ter tido contato com esses pacientes sem equipamentos de proteção individual (EPIs).

Tratamento às pessoas infectadas

A pesquisa também revelou que 87% dos entrevistados acreditam que nem todos os profissionais da Saúde envolvidos nos tratamentos aos pacientes com Covid-19 estavam preparados. De acordo com os médicos, houve falta de treinamento e supervisão para uma adequada abordagem da situação. Além disso, 14% dos entrevistados disseram ter prescrito o uso off-label de medicamentos como hidroxicloroquina e azitromicina.

Principais sentimentos

Quando questionados como se sentem ao trabalhar na luta contra a pandemia, 23% dos médicos disseram estar infelizes ou muito infelizes. Isso graças ao desgaste psicológico, à falta de equipamentos de proteção e à possibilidade de infecção de familiares. Já para os 19% que disseram estar felizes ou muito felizes, a principal razão para tal sentimento é o aprendizado e o ato de salvar vidas. 41% dos entrevistados disseram não estar felizes nem infelizes.

Dilemas éticos

Ainda de acordo com a pesquisa, 77% dos entrevistados não vivenciaram conflitos éticos específicos. Porém, os 23% que relataram esse tipo de vivência apresentaram seus relatos. Veja alguns deles, divulgados pelo MedScape a seguir:

“Tive de escolher se atendia o paciente com suspeita de Covid-19 e fechava a unidade de saúde ou se atendia os outros pacientes e deixava o caso suspeito sem atendimento”

“Usei EPIs comprados por mim enquanto a equipe de enfermagem não tinha nenhum”

“Precisei escolher em quem instalar a ventilação mecânica”

“Coloquei pacientes sem suspeita de Covid-19 em UTI respiratória com pacientes com o vírus por falta de outras vagas”

“Vi colegas usando medicamentos sem evidência científica e não pude fazer nada”

“Atendi casos de uma especialidade para a qual eu não fui capacitado”

“Tendo somente duas vagas no CTI, coube a mim escolher quais entre vários pacientes com indicação ocupariam essas vagas”

“Não tive coragem de explicar ao paciente que iria intubá-lo por saber que ele ficaria mais nervoso e prejudicaria o curso do atendimento”

Por fim, sabe-se que, com a pandemia de Covid-19, muitos médicos precisaram se reinventar, o que inclui enfrentar os dilemas abordados acima. A pesquisa contou com a colaboração de médicos e residentes e apresentou um panorama rico em informações sobre uma das maiores crises da Saúde da atualidade. Como método de coleta de dados, a empresa utilizou um questionário on-line.

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