Perfil médico: o desenho das especialidades

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Entre tantas especialidades, o que considerar na hora de optar por uma delas?

Qualquer profissional que atua na área da Saúde precisa, antes de tudo, se interessar pelo bem-estar dos outros. A Medicina, por exemplo, possui uma rotina com muitas horas de trabalho e de estudo. Sendo assim, é necessário que, os que desejam se lançar nessa carreira, possuam muita dedicação e persistência. Outro fator essencial para os profissionais da área é a sensibilidade, pois é importante saber escutar para chegar ao diagnóstico correto. Conversar com pacientes e familiares, geralmente, exige preparo e cuidado.

No entanto, cada profissional tem interesses e preferências únicos. Dessa forma, é preciso escolher uma especialidade e/ou uma área de atuação que combine melhor com o perfil e com os objetivos de cada pessoa. É fundamental, nesse sentido, considerar o foco dos estudos, a rotina de trabalho e os detalhes específicos de cada área antes de finalizar esta escolha tão importante.

Escolhendo sua área

Quando o jovem entra no curso de Medicina, muitas vezes, não sabe, entre as especialidades médicas, qual é a ideal a ser seguida. Por isso, ao longo de sua formação acadêmica, é importante estar atento às disciplinas com as quais mais se identifica, além de notar aquelas que conclui com mais facilidade e interesse. O cardiologista Walter Homena, que atua na cidade do Rio de Janeiro, acredita que o momento da escolha não é fácil e que isso se dá, principalmente, pela pouca idade e pela falta de maturidade durante esse período da vida.

Apesar da dificuldade, esse é um momento decisivo e fundamental de quem escolhe a Medicina. Para Homena, dois motivos foram determinantes em sua escolha. “O desejo de ajudar e de salvar vidas, forjado pela marcante simbologia do coração, reconhecido por inúmeras culturas ancestrais como um órgão vital, e o fato de ter estagiado por um longo período em uma clínica cardiológica”, cita.

Por outro lado, a pediatra de Belém (PA), Káthia Harada, começou a especialização na área por conta da facilidade na cidade em que mora, mas depois se apaixonou pelo ofício: “Poder descobrir doenças em um ser que não sabe dizer onde dói e o que sente é incrível”, exalta. Kathia é uma das profissionais que comprovam: a satisfação com a especialidade está diretamente ligada a fatores como a personalidade e as preferências de cada pessoa.

Já a dermatologista Flávia Addor, de São Paulo, pensa que, entre as especialidades, a sua é “pragmática” e, por isso, proporciona uma independência razoável ao profissional que a escolhe. “Essa autonomia me encantou, além das múltiplas vertentes de conhecimento que a Dermatologia abrange: Alergia, Infectologia, Cirurgia, Oncologia e Cosmiatria, entre outras”, explica.

O que os especialistas dizem

Flávia acredita que sua especialidade exige dos profissionais uma boa memória visual e o gosto pelos detalhes. Esses seriam os requisitos necessários para quem deseja ingressar nesse universo. Além disso, para a dermatologista, essa é uma área muito rica, com muitas possibilidades e, por isso, precisa abrigar pessoas sem preconceitos e dispostas a aprender sobre os mais diversos campos de estudo da profissão.

Já para a Pediatria, Káthia defende que o perfil de quem escolhe essa área é baseado em três pilares: são pessoas centradas, observadoras e detalhistas. Esses traços, segundo a médica, serão exigidos na atuação de uma área com tantas possibilidades, por ter diversas subespecialidades. Para ela, esse ramo é muito especial e deve ser escolhido por pessoas realmente apaixonadas por ele.

“Cuidar de um ser em formação e ter a oportunidade de ajudar os pais ou cuidadores com orientações, não somente nos momentos de tratar enfermidades, mas fornecendo orientações gerais do cuidar, educar e ter uma vida mais saudável e feliz, é um privilégio para poucos”, acredita.

Apesar de não enxergar um perfil específico para a escolha da sua especialidade médica, o cardiologista Walter Homena defende a ideia de que é preciso, antes de tudo, se questionar o porquê de escolher a Medicina. “Ser médico é ter uma profissão diferente de todas as outras, pois estará assumindo a maior responsabilidade já imposta a um profissional: a de cuidar do bem de maior valor que existe – a saúde humana”, analisa.

Mesmo assim, segundo ele, aqueles que optarem pela Cardiologia e não por outras especialidades terão essa responsabilidade elevada ao máximo, já que esses especialistas lidarão com as enfermidades de maior impacto na saúde do mundo ocidental: as doenças cardiovasculares. “Como digo para os meus residentes, ‘não basta estudar muito, temos que que gostar de gente’ para alcançarmos a plenitude em nossa especialidade”, conclui.

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