Como validar o diploma médico para atuar no exterior?

Entenda como funciona o processo para trabalhar como médico no exterior

Lívia Siqueira 5 minutos

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O interesse pelo exterior não é uma novidade. Certamente você ou alguma pessoa próxima já cogitou tentar a vida fora do Brasil, começando quase do zero, na esperança de dias melhores. Mas atuar no mercado de trabalho de outro país pode não ser tão simples assim. Para o médico que deseja validar seu diploma no exterior, por exemplo, é necessário que o documento seja certificado na região onde se deseja atuar.

E esse processo é burocrático e cheio de nuances. De acordo com o advogado e especialista no assunto Alexandre Martins, o primeiro passo de quem almeja por esse futuro é escolher o destino no qual pretende praticar a Medicina. “Isso é necessário não só porque cada país terá uma exigência diferente, mas, principalmente, para que o médico conheça o máximo sobre a cultura local, além de detalhes importantes como as condições de trabalho, o idioma prevalente no país, clima, religião dominante e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), por exemplo”, orienta.

Para explicar melhor a validação de diploma no exterior, Alexandre citou alguns exemplos:

Portugal

O processo consiste na realização de uma prova teórica, um atendimento prático super visionado e, por fim, uma apresentação de um trabalho para uma banca examinadora;

Costa Rica

Além da prova de Medicina, o candidato também é submetido a uma prova de conhecimento da língua espanhola, idioma oficial do país;

Chile

O diploma médico, geralmente, é aceito automaticamente no Chile. Existem os casos em que há necessidade de uma prova específica, sobretudo quando há diferença na grade curricular dos cursos do país de origem e do país de destino;

Estados Unidos

Para atuar como médico nos EUA, é preciso fazer uma bateria de provas teóricas e práticas. E, a partir de 2023, o país norte-americano só aceitará médicos formados no exterior quando a graduação for realizada em alguma instituição credenciada pela Federação Mundial para Educação Médica (do inglês World Federation for Medical Education – WFME). No Brasil, existem 32 instituições habilitadas pela WFME. Você pode conferir quais são elas pelo site do Sistema de Acreditação de Escolas Médicas (Saeme), sistema do Conselho Federal de Medicina (CFM) vinculado ao WFME.

Quanto ao tempo de validação, não existe um período exato. De acordo com o advogado, a tramitação pode variar entre três e 15 meses, dependendo do país e do agendamento de prova. “Como se trata de uma mudança muito radical, vemos com bons olhos a demora do processo, uma vez que permite uma melhor preparação do candidato em todos os aspectos que envolvem a mudança.

Especializações

Assim como o diploma, essas certificações também vão depender do país escolhido. Morando em Portugal atualmente, Alexandre Martins explica o que se deve fazer em território português: “Após a validação do diploma, o médico deverá requerer a validação da especialidade, que será avaliada pela ordem da especialidade que se pretende registrar, e poderá ser aprovado com exigência de complementação curricular. Nesse caso, o profissional deve cursar um ou mais módulos em Portugal para complementar sua formação. Além disso, cada país possui um órgão responsável pelo número de registro do médico. Em Portugal, existe a Ordem dos Médicos, e a inscrição deve ser solicitada assim que o diploma for validado”.

Atenção às despesas

Apesar do aspecto financeiro ser um dos primeiros a ser considerado quando se pensa em mudar de vida e de país, é necessário redobrar o foco quando o assunto é validação de diploma no exterior. O advogado ressalta o custo médio dessa transição: “Deve-se levar em conta o deslocamento aéreo, a hospedagem, a alimentação, a obtenção dos documentos no Brasil e sua autenticação (apostilamento) para valer no exterior e as taxas. Ou seja, um gasto aproximado de U$8.000,00 (oito mil dólares), podendo ser ainda maior”.

Vale a pena sair do Brasil para exercer a Medicina em outro país?

Para Alexandre, essa pergunta não tem uma resposta fechada. “Tudo isso depende de fatores externos. Aqui em Portugal, por exemplo, a remuneração média do médico é bem inferior à remuneração média no Brasil. Entretanto, o custo de vida pode ser até 40% menor do que o custo do brasileiro, e ainda apresentar uma qualidade de vida superior. Ou seja, um médico em Portugal com uma remuneração de R$18.000,00, por exemplo, vai ter muito mais poder de compra e, consequentemente, uma vida muito mais confortável do que quem tem a mesma renda no Brasil”, ressalta.

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