Prós e contras dos dispositivos wearables na Saúde

As tecnologias wearables impactam cada vez mais a área da Saúde e mostram que, no futuro, a relação médico-paciente será bem diferente. Por isso, listamos alguns prós e contras desses dispositivos

Julia Lins 5 minutos

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Em tempos de pandemia, a Medicina vive constantes mudanças tecnológicas. Um exemplo de tecnologia que foi aprimorada durante a pandemia é a Telemedicina, que cresce cada vez mais e já se mostrou ser mais do que uma tendência, e sim uma realidade na área.

Outra grande tendência são os wearables, dispositivos vestíveis que podem ser facilmente acoplados ao corpo, como pulseiras, relógios, óculos e roupas. Eles são capazes de calcular batimentos cardíacos, peso, calorias consumidas, passos e até o tempo de atividade física. Ou seja, dados que até então eram obtidos apenas em consultórios agora podem ser captados em tempo real.

O uso de tecnologia vestível mais do que triplicou nos últimos quatro anos. De acordo com uma pesquisa da Business Insider Intelligence, mais de 80% dos pacientes entrevistados estão dispostos a usar tecnologias wearables. Essa crescente demanda gerou um mercado em expansão, mas será que essa tecnologia é indicada para qualquer caso?  Confira a seguir alguns prós e contras desses dispositivos!

Prós

De acordo com Guilherme Rabello, gerente de inovação do InovaInCor e presidente do conselho da Fundação para Segurança do Paciente (FSP), os dispositivos wearables têm muito a contribuir para a área médica, atuando como “cuidadores virtuais” e como aliados dos médicos. “Os dispositivos podem auxiliar os médicos no controle da saúde do paciente, indicando alterações que inspirem ações preventivas e até permitindo interferências em casos agudos, melhorando o desfecho do tratamento clínico”, analisa.

  • Podem incentivar a prática de atividade física

Muitos médicos estão acostumados a tratar pacientes sedentários e que têm diversas complicações devido à falta de atividade física. Por isso, os wearables podem ser um bom incentivo. Pesquisas mostram que as pessoas têm percepções positivas de como os rastreadores de condicionamento físico aumentam seus níveis de atividade.

  • Auxiliam pacientes com depressão

A depressão está associada à baixa autoestima e à falta de disposição para prática de atividades físicas. Porém, pesquisas apontam que os dispositivos wearables podem minimizar esses efeitos quando combinados a uma terapia de ativação comportamental. Essa técnica visa estimular mais atividades e, assim, melhorar a qualidade de vida dos pacientes com depressão.

  • Deixam o paciente mais consciente sobre sua frequência cardíaca

Um estudo publicado pelo Canadian Medical Association Journal encontrou uma ligação entre maiores taxas de coração em repouso e mortalidade relacionada a doenças cardiovasculares. Os wearables podem dar uma oportunidade ao médico de usá-los como ferramenta de educação do paciente, fazendo com que eles estejam sempre medindo os batimentos e assim fiquem alertas a qualquer sinal de alteração em sua frequência cardíaca.

  • Contato mais agilizado com o médico

Uma vez que o paciente tem essa monitoração de sua saúde por meio dos dispositivos, caso ocorra algum tipo de alteração, o paciente poderá fazer um contato mais imediato com o seu médico, agilizando o atendimento.

Contras

Apesar das inúmeras vantagens possibilitadas pelo uso dos wearables, também há fatores que precisam ser considerados. De acordo com Rabello, a segurança do paciente pode ser uma das desvantagens trazidas pelas novas tecnologias. “Os usuários que não entenderem adequadamente para que servem os wearables podem desenvolver um falso senso de segurança física, tomando decisões erradas quanto à aderência a tratamentos e à medicação indicada pelo médico”, afirma.

  • Podem não funcionar para pacientes com problemas de mobilidade

A Universidade de Maryland realizou um estudo que apontou que alguns usuários com problemas de mobilidade demonstram entusiasmo ao adquirir os dispositivos vestíveis, porém, após os primeiros dias de uso, perceberam que há algumas limitações. Por exemplo, alguns pacientes com diagnóstico de deficiência de mobilidade andam com padrões de marcha irregulares e, às vezes, o pedômetro pode fazer o cálculo de passos incorretamente, frustrando o usuário.

  • Muitas vezes superestimam as calorias queimadas

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford testou sete dispositivos vestíveis e mostrou que nenhum deles mediu o gasto de energia com precisão. Até o melhor dispositivo do grupo apresentava diferenças, em média, por 27%. É preciso encorajar seus pacientes a não depender tanto das informações de calorias apontadas em seus dispositivos, pois isso pode fazer com que eles se desviem do plano alimentar devido a uma leitura equivocada de alto gasto de energia.

  • Os dispositivos, sozinhos, não causam perda de peso

Muitos pacientes acreditam que os wearables são as peças que faltavam para a tão sonhada perda de peso. Entretanto, eles devem ser alertados de que os dispositivos sozinhos não causam o emagrecimento. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Pittsburgh revelou que a perda de peso em adultos que utilizam tais dispositivos não foi maior do que em adultos que não os utilizam.

 

 

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