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Inteligência emocional e sua importância para os médicos

Por:

Shana Wajntraub

- 28/01/2021

inteligência emocional

Existem inúmeras pesquisas sobre a importância da inteligência emocional. Uma delas, realizada pela Career Builder, aponta que mais da metade (59%) dos gerentes disseram que não contratariam um candidato com baixo nível de quociente emocional.

Agora, pensando na realidade do médico, quantos possuem uma excelente formação técnica, mas têm dificuldade de perceber o paciente, de relacionar-se e adaptar-se ao perfil de comunicação do outro? Muitos. E sabemos, na realidade atual da prática médica, que ser bom tecnicamente já não é o bastante. As soft skills (termo em inglês usado para definir habilidades comportamentais) tornam-se extremamente necessárias, visto que o sucesso profissional vai se basear, em breve, na capacidade de se posicionar e se comunicar.

Para um profissional da área da Saúde, isso interfere diretamente em suas relações com o paciente. Para ter sucesso na comunicação e na administração das situações, é importante acessar as próprias emoções e ter a agilidade emocional. Assim, o profissional terá mais facilidade em lidar com as intercorrências no ambiente hospitalar, por exemplo, podendo se tornar um profissional equilibrado e capaz de tomar as melhores decisões.

Mas de onde surgem as emoções?

A palavra emoção vem do latim emovere: o “e” vem de “ex, para fora”, enquanto “movere” significa movimento. Ou seja, o termo pode designar tanto o movimento de colocar para fora algo que sentimos dentro de nós quanto algo que nos move e que nos impulsiona.

E, de certa forma, o termo expressa isso bem. As emoções são um conjunto de respostas fisiológicas, ou seja, do nosso corpo, que começam de forma automática em resposta a algum estímulo no ambiente externo, como uma imagem ou som, ou do ambiente interno, ou seja, de nossa mente, como um pensamento ou uma lembrança.

Então, esses estímulos emocionais acionam uma reação automática em nosso cérebro, gerando uma resposta automática em nosso corpo por meio de hormônios do sistema endócrino. Só após a reação corporal começamos a perceber conscientemente que estamos sentindo alguma coisa. É isso que chamamos de “sentimentos”. É essa coisa “interna” que sentimos em nosso corpo e que nos faz mover ou agir.

Além da emoção, temos o humor. Ele é parecido com a emoção, ou seja, é uma resposta do corpo mediada por hormônios, também interpretada como algum sentimento. A diferença é que o humor tem uma duração mais longa, de horas. Além disso, é um sentimento difuso, mais difícil de categorizar e que pode ocorrer mesmo sem que nada aparente o inicie. Sabe quando você acorda de manhã se sentindo disposto ou às vezes mais “pra baixo”? Ou quando, ao longo do dia, você se sente mais irritado?

A emoção é diferente: é uma resposta rápida e específica a alguma coisa fora ou dentro de nós, mesmo que por vezes não percebamos o que está causando isso. Além disso, as emoções são mais fáceis de categorizar e distinguir. Sabemos bem diferenciar quando sentimos medo ou raiva, por exemplo.

O que de fato é inteligência emocional?

É a capacidade de um indivíduo perceber e administrar as próprias emoções e usá-las a seu favor. Além disso, é, também, compreender as emoções das outras pessoas, construindo assim relações saudáveis e fazendo escolhas assertivas e acertadas.

A pessoa com inteligência emocional sabe pensar, sentir e agir de forma consciente e criativa, sem deixar que emoções inadequadas controlem sua vida e se acumulem de forma a reproduzir ou criar traumas. Lembre-se, sentir emoção é essencial, mas no momento certo e da maneira certa.

Assim, essas pessoas terão maior probabilidade de se sentir satisfeitas e de ser eficientes em suas vidas, sabendo administrar bem situações afetivas que possam prejudicar sua performance e produtividade; já as pessoas que não possuem nenhum controle da vida emocional vivem batalhas internas constantes, implicando em prejuízos profissionais e baixa clareza de pensamento.

Divide-se a inteligência emocional em quatro pilares. São eles:

  • Autoconhecimento: como eu me vejo

É a habilidade de entender qual seu “perfil” afetivo, assim como suas principais características pessoais e, consequentemente, suas forças e fraquezas.

  • Autogestão: como lido comigo mesmo

Controlar seus sentimentos e expressá-los de maneira apropriada em cada situação é uma habilidade fundamental.

  • Empatia: como leio e lido com o outro

Empatia é a habilidade de ser um bom ouvinte, entender as emoções dos outros e perceber como o que você diz é compreendido pelos demais. Pessoas empáticas conseguem entender os sentimentos por trás do que os outros dizem e têm facilidade para ajudar as pessoas. Uma boa dica para melhorar nessa habilidade é sempre perguntar-se o que está por trás das palavras das pessoas, diminuindo o pré-julgamento.

  • Gestão de relacionamento: como me conecto e lido com questões sociais

Pessoas que sabem gerenciar relacionamentos são notadas pelas capacidades de influenciar os outros, gerir conflitos e trabalhar em equipe. A dica é entender que cada pessoa funciona de uma maneira e que é sua responsabilidade aprender o funcionamento de cada uma delas para, então, moldar como você se comporta.

A inteligência emocional, com suas aptidões, torna-se, então, extremamente necessária ao médico do futuro. Não apenas para que haja sucesso profissional, mas, principalmente, para que haja abundância de qualidade de vida – para si e para os pacientes.

Muito sucesso no desenvolvimento desta competência!