Conveniados e particulares: vantagens e desvantagens na balança

Atender pacientes conveniados e particulares é um dos grandes desafios da carreira médica; por isso, conheça as vantagens e as desvantagens de cada sistema para entender como é possível equilibrar os dois tipos de atendimento

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Um dos grandes dilemas que paira na cabeça do médico ao longo de sua carreira é: devo atender pacientes conveniados ou apenas os particulares? A busca pelo equilíbrio entre os atendimentos começa assim que o médico abre seu primeiro consultório e permanece ao longo de toda a sua carreira. Mas quais serão as vantagens e desvantagens de cada tipo de atendimento?

O tema é complexo e não existe um guia prático para seguir. Entretanto, para decidir o que fazer no seu consultório, o médico precisa conhecer melhor as vantagens e desvantagens de cada sistema. Por isso, conversamos com alguns especialistas para que eles contassem um pouco de suas experiências profissionais e listassem algumas características de cada tipo de atendimento. Confira!

Remuneração

Segundo Andréia Loures-Vale, especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e mestre em Biologia Molecular pela EPM/Unifesp, a baixa remuneração é uma das principais desvantagens do atendimento por planos de saúde . “Há convênios que pagam um valor muito baixo por consulta. E consulta médica é algo que pressupõe retorno, imposto de renda, percentual a uma cooperativa etc. Ele atende 20 ou 30, mas poderia atender apenas cinco”, afirma.

Por outro lado, ao atender pacientes particulares, o médico tem uma liberdade maior na precificação das consultas. Andréia acredita que os médicos que investem no atendimento particular não se arrependem. “Alguns médicos cobram R$50 ou R$60 e outros podem chegar a R$500. Basicamente, seis a sete pacientes de convênio geram o lucro de um atendimento particular, pelo que temos calculado, dependendo do valor da consulta”, afirma.

Porém, de acordo com Ivan Ferraz, professor assistente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, é preciso ver se realmente há demanda no atendimento particular, para que o médico não crie uma expectativa fora do real. “É muito claro que os pacientes particulares trazem mais lucros, desde que eles ‘existam’ de fato, o que vem sendo cada vez mais difícil. Ou você opta por atender pacientes oriundos de planos de saúde ou não. É uma escolha pessoal de cada médico”, analisa.

Qualidade do atendimento

Ao credenciar-se a uma operadora de saúde, devido à remuneração mais baixa, os médicos tendem a aumentar o número de atendimentos e isso tem impacto direto na qualidade do atendimento. “Para se ter um rendimento padrão, que dê para manter toda a estrutura, é preciso fazer um número muito grande de atendimentos, dependendo do convênio. Por isso, aquela relação de o médico sentar-se, olhar no olho do paciente, ouvir o problema ou de o paciente telefonar para o médico está acabando”, relata Andréia.

Lembre-se: a qualidade do serviço médico deve ser impecável independentemente do tipo de atendimento. Além disso, um paciente que hoje é conveniado a um plano de saúde pode cancelar o serviço em um determinado período. Por isso, se o paciente ficar satisfeito com o atendimento, independente de ser particular ou convênio, ele irá retornar.

Fluxo de pacientes

Esse pode ser um fator diferencial para o médico decidir se atende apenas pacientes conveniados ou também particulares. Atualmente, uma parte significativa da população com maior poder aquisitivo tem planos de saúde e, por isso, os pacientes, em geral, preferem ser atendidos por médicos credenciados.

Logo, de acordo com Ivan, a vantagem dos convênios seria a possibilidade de os médicos criarem uma clientela regular, com honorários menores, determinados pelos planos, mas tendo a garantia de um movimento regular.

Já Hamilton Moreira, membro da Comissão Científica do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Diretor Executivo do Médicos de Olhos S/A, acredita que tudo é uma questão de custo e benefício. “A tranquilidade de fazer atendimentos particulares, em menor volume, versus o frenesi da sala de espera lotada de pacientes conveniados. É uma escolha individual, por meio de critérios particulares, seja fluxo de pacientes, retorno financeiro ou algum outro aspecto, mas que no fundo determinarão a satisfação pessoal do médico”, conclui.

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