Doutor, o seu consultório é inclusivo?

Entenda a importância de ter um consultório inclusivo e conheça dicas que ajudam a promover acessibilidade

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Você sabia que promover acessibilidade é uma prática exigida por lei? O Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, regulamenta as leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000. A primeira dá prioridade de atendimento a essas pessoas e a segunda estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade aos indivíduos com deficiência ou com mobilidade reduzida, entre outras providências. Dessa maneira, ao possibilitar o acesso e um atendimento adequado, além de cumprir as leis vigentes, você colabora para que esses pacientes se sintam confortáveis com o serviço. Portanto, responda a si mesmo: o seu consultório é inclusivo?

Aspectos a serem considerados

As possíveis deficiências:

a) Deficiência física

b) Deficiência auditiva

c) Deficiência visual

d) Deficiência mental

e) Deficiência múltipla

f) Autismo

A seguir, veja o que considerar na hora de promover acesso a cada uma delas.

Deficiência física

Ao levar em consideração as necessidades de um deficiente físico, um consultório inclusivo possui características que vão além da adaptação de sua estrutura. Ou seja, a inclusão dessas pessoas no atendimento possui como base: o espaço para circulação, a organização dos móveis e objetos de decoração, a presença de corrimãos, rampas e elevadores, e a conduta profissional dentro da consulta.

Dessa maneira, os elevadores devem possuir 1,40m de profundidade por 1,10m de largura e portas com vão mínimo de 0,80m e altura de 2,10m. Os pisos devem ser antiderrapantes e as rampas devem possuir pequena inclinação, corrimão e borda de proteção. Além disso, corredores não devem conter obstáculos e os banheiros devem possuir barras de apoio, assim como as demais adaptações necessárias.

O comportamento médico também é muito importante. Portanto, sempre seja gentil e não trate o paciente como uma pessoa que constantemente precisa de ajuda para se locomover. Ao movimentar a cadeira de rodas entre outros utensílios, peça permissão e dê autoridade ao paciente.

Deficiência auditiva

Já no caso dos pacientes com deficiência auditiva, o ideal é que em algum momento de sua formação você aprenda Libras (Língua Brasileira de Sinais) ou técnicas que facilitem a comunicação. Caso você não possua esse conhecimento ou o paciente não tenha perda completa de audição e prefira realizar a leitura de lábios, fale com calma e olhando para o paciente. Utilizar palavras simples também pode ajudar.

Além disso, prepare sua equipe para lidar adequadamente com esses pacientes. Uma equipe bem treinada e que aja de maneira natural proporcionará a sensação de inclusão e pertencimento ao paciente.

Deficiência visual

Um dos principais aspectos que envolvem o cuidado com os deficientes visuais é a informação. Caso ele seja completamente cego e esteja com um acompanhante, não direcione a conversa para essa segunda pessoa. O deficiente visual deve possuir um tratamento diferenciado apenas se precisar de ajuda para se locomover no ambiente. Além disso, elevadores e corrimãos devem apresentar relevo em Braille e o consultório ou clínica deve possuir piso tátil para orientar o caminho do paciente.

Deficiência mental

Um dos maiores desafios de inclusão se refere ao atendimento a pacientes com deficiência mental. Nesses casos, proporcionar inclusão será disponibilizar um atendimento personalizado, claro e que atenda às necessidades especiais da pessoa. Nesse caso, tratar a pessoa como os demais pacientes de sua idade é essencial, mas, claro, dentro de suas possibilidades e limitações. Fazer com que esses indivíduos não se sintam inferiores é essencial. Dessa maneira, orientar a equipe para esses atendimentos deve ser um trabalho redobrado.

Deficiência múltipla

No caso da deficiência múltipla, quando há a associação de duas ou mais deficiências, as adaptações e orientações anteriores são as mesmas. Entretanto, o atendimento a esses pacientes pode demandar um cuidado dobrado. Tenha em mente que, independentemente de quantas deficiências a pessoa possuir, o serviço deve ser humanizado e dedicado a deixá-lo confortável como qualquer outro paciente.

Autismo

Por último, em caso de atendimento a pacientes autistas, é preciso ter em mente que esses pacientes, adultos ou crianças, possuem menor tolerância para atrasos. Avise o paciente sempre que precisar tocá-lo ou examiná-lo. Além disso, caso ele apresente medo na consulta, tente deixar o momento mais informal e sempre que possível explique as ações de forma mais didática possível. Estar pronto para lidar com esses pacientes e ter uma equipe preparada para essas situações é fundamental para chamar o seu consultório de inclusivo.

Caso seu resultado sobre ter ou não um consultório inclusivo tenha sido positivo, parabéns. Caso contrário, ainda há tempo para mudanças. Com um serviço inclusivo, você poderá fazer a diferença no dia a dia de diversos pacientes, além de melhorar sua prática diária, alcançar e fidelizar um número maior de pessoas.

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