Acreditação para serviços de pequeno e médio porte: o que você precisa saber?

Bárbara Mello 4 minutos

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Acreditação e certificação nos serviços de saúde são estratégias que se complementam, mas que apresentam pequenas diferenças entre seus fundamentos. No entanto, as duas estão relacionadas no que diz respeito à qualidade dos serviços prestados.

Saiba diferenciar

Enquanto certificação é um atestado de qualidade dos serviços com enfoque em determinada atividade, a acreditação atribui excelência na assistência clínica e gerencial da instituição.

Sendo assim, é possível adquirir certificado de boas práticas de clínicas, de atendimento ao cliente etc. Contudo, para passar pelo processo de acreditação e se tornar uma instituição acreditada, um serviço de saúde deve atender aos requisitos preconizados pelos documentos técnicos e manuais elaborados pelas empresas acreditadoras.

As instituições que realizam esses processos são as Instituições Acreditadoras Credenciadas (IACs). Elas são credenciadas pelas organizações acreditadoras para proceder à avalição das instituições de saúde, seguindo os procedimentos e as metodologias definidas por cada programa (ONA, JCI, Canadense, ACSA etc.). As principais IACs são:

  • Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde (Ibes)
  • Fundação Vanzolini
  • Instituto Qualisa de Gestão (IQG)
  • Business Assurance Avaliações e Certificações Brasil LTDA (DNV – GL)

Segundo Faiga Marques, administradora do Hospital de Olhos Niterói e analista de Acreditação em Saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV), por muito tempo existiu um mito de que a acreditação era cara e apenas para grandes hospitais. Essa realidade mudou, pois o processo de acreditação também passou por mudanças e é possível acreditar um serviço independentemente do tamanho.

“Os padrões brasileiros de qualidade e segurança em saúde, disponíveis nos manuais da ONA, foram adaptados para cada realidade conforme o tamanho e a estrutura de cada instituição de saúde, seja um grande hospital, uma pequena clínica, serviços laboratoriais e ambulatoriais, serviços de nutrição, de esterilização, de atenção domiciliar, entre outros”, constata.

Investimento e duração

Os custos da acreditação são variáveis e dependem do tamanho/porte da instituição e do processo ao qual ela deseja se submeter. A especialista destaca que a acreditação nacional tende a ser mais barata do que um processo internacional. Além disso, pode ser pago de forma parcelada.

“O ideal é que a instituição se programe para realizar esse investimento, fazendo contato com uma ou mais IACs e marcando uma apresentação para conhecer a metodologia e os valores. Algumas delas oferecem um primeiro diagnóstico organizacional que ajudará a instituição a ter uma ideia do tempo e valores necessários”, orienta Faiga.

A obtenção da certificação pode durar de um ano e meio a dois anos, dependendo da própria instituição ter feito ou não uma boa preparação antes da visita de acreditação e do nível ao qual ela deseja ser acreditada. Por isso, a especialista aponta que não existe um “melhor momento” para iniciar o processo. O momento é determinado pelo desejo da instituição começar a trabalhar visando à qualidade dos serviços, a segurança dos pacientes e a melhoria contínua.

Fortalecimento da imagem institucional e confiança do público

A acreditação traz um selo de qualidade que fortalece a imagem da instituição como um lugar que tem certificado seus procedimentos de qualidade e de segurança do paciente. Além disso, de acordo com Faiga Marques, atualmente existe um movimento, ainda inicial, por parte das operadoras de planos de saúde, para melhorar as formas de remuneração das instituições que apresentam alguma certificação de qualidade.

Os benefícios são variados, impactando a instituição, os profissionais que trabalham no local e os pacientes. “O grande diferencial do processo de acreditação é a implementação da cultura de melhoria contínua dentro de toda a organização e entre todos os colaboradores. Todos se habituam a aprimorar seus processos de trabalho, construir planos de melhoria e valorizar a segurança do paciente”, declara.

A profissional acrescenta, ainda, que a percepção é nítida entre os pacientes, pois a acreditação valoriza a segurança deles. “Quando os pacientes percebem essa cultura permeando a instituição, se sentem muito seguros – e isso não tem preço!”, define.

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