Especial Semana do Médico – Jayme Murahovschi

Em 18 de outubro comemora-se o Dia do Médico. E para comemorar essa data especial, o Universo DOC, ao longo de toda a semana, presta uma homenagem a grandes nomes da Medicina brasileira, com matérias especiais publicadas originalmente na Revista DOC. Veja aqui uma entrevista com Jayme Murahovschi, que falou sobre gestão de carreira e relacionamento com o paciente

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Uma carreira bem-sucedida, em qualquer profissão, exige dedicação, empenho e uma pitada da sorte. Mas – é claro! – não só isso. Para garantir um lugar entre os melhores da sua área de atuação, o profissional deve apresentar uma série de qualidades e características que garantem um caminho mais sólido, em que os obstáculos surgem, mas são superados rapidamente. Tijolo a tijolo, a carreira é construída com firmeza, ganhando a credibilidade dos clientes e o reconhecimento dos pares.

A relação com o paciente é a essência da atividade do médico. “A consulta é um ato de confiança”, sustenta o pediatra Jayme Murahovschi, de São Paulo. “Para que a consulta não pareça exageradamente técnica e fria, costumo levantar algum assunto correlato útil, para uma conversa mais leve. Acho que valoriza a consulta e sei que muitos médicos fazem isso. Mas essa atitude exige cuidado e limites”, completa. Ele ressalta a necessidade de não divagar a ponto de deixar de se atentar aos problemas que levaram o paciente até o consultório.

A fim de contemplar o quadro do paciente a sua frente do modo mais correto, o médico deve adotar uma perspectiva holística, buscando uma visão ampla da situação. “A anamnese não pode se limitar à queixa do momento, mas sim ir além da doença atual e incluir a família – suas condições e estilo de vida. Mais do que o exame físico, a anamnese constitui a base da consulta pediátrica”, opina Murahovschi. O pediatra defende, inclusive, a visão da Pediatria como uma “antiespecialidade”, por enfocar um ser humano de maneira global, incluindo aspectos físicos, emocionais, mentais e sociais.

No entanto, a relação com o paciente começa antes mesmo da consulta em si, com a recepção – tanto do médico quanto ainda na sala de espera pela linha de frente do atendimento. “Daí a importância de auxiliares afetivas, efetivas e treinadas”, explica. É preciso, também, captar o clima emocional do paciente e dos acompanhantes: toda essa recepção feita de forma solidária os ajuda a relaxar a ansiedade.

 

O “entorno” do paciente

A relação com o paciente também passa pela consideração da família e dos seus demais acompanhantes – principalmente no caso de especialidades como a Oncologia, a Geriatria e a própria Pediatria, nas quais o entorno do paciente, por costume, se faz presente. Conceito frequentemente utilizado, mas, por vezes, não compreendido corretamente, a empatia – que, como ressalta Murahovschi, não é sinônimo de simpatia – é característica básica nessa construção.

“Empatia é compreender e introjetar os sentimentos e preocupações da família. A palavra-chave é escuta, que também não é sinônimo de ouvir. Ouvimos qualquer ruído, mas escutamos o que é realmente importante, o que vale a pena, e que, às vezes, não foi dito de maneira clara e expressa, mas deixou subentendido para quem realmente está interessado e treinado na construção dessa relação”, detalha.

Com isso em mente, pode-se definir dois momentos da consulta: primeiro, o “sentir”, a sensibilidade. “É fundamental, mas não suficiente, porque o que a família espera do médico é uma orientação objetiva”, pondera Murahovschi, antes de introduzir o momento seguinte, o “agir”. Ele resume: “Primeiro, sentir, e depois, agir. Em outras palavras: a relação médico-paciente é simétrica no plano humano, mas assimétrica no plano profissional, permitindo a expressão da autoridade médica”.

 

Conclusão da consulta e pós-consulta

Conforme Jayme Murahovschi, a consulta se completa com a prescrição, o que não significa necessariamente a receita de remédios, mas sempre orientação. “Na prescrição, deve-se levar em conta que a mãe, em seu estado de angústia, tem sua capacidade de pensar com clareza comprometida e sua capacidade de assimilação diminuída. Por isso, a orientação deve ser clara, detalhada e até repetida”, ensina, considerando a realidade pediátrica. Além disso, os pontos importantes devem ser escritos e a orientação geral da idade, dada em folha impressa.

Após a entrega da prescrição, inicia-se outra fase importantíssima da relação com o paciente: a pós-consulta. “É preciso conhecer a evolução”, afirma o pediatra. Com a tecnologia atual, isso pode ser feito por meio de mensagens de WhatsApp, a serem enviadas em dias determinados, ou a qualquer momento, se a evolução não for a esperada.

Considerando os princípios que segue em sua prática de mais de meio século, Murahovschi afirma que há muitos jovens que também fariam a Pediatria do modo que defende. Contudo, é necessário estabelecer condições que lhes garantam estabilidade financeira e uma vida digna. “Isso certamente reflorescerá muitas vocações”, acredita. No entanto, ele alerta que a profissão deve proporcionar não só sustento, mas, também, satisfação pessoal. “Isso a Medicina pode fazer como nenhuma outra. Uma parte dessa satisfação é íntima e a outra virá com o testemunho de pacientes, o que pode ocorrer muitos anos depois”, conclui.

A voz da experiência

Segundo Jayme Murahovschi, de acordo com sua experiência como pediatra, estes são os pilares para a construção de uma boa relação com o paciente:

  1. Consulta é um ato de confiança;
  2. Acolhimento do paciente e da família;
  3. No caso do pediatra, considerar o intérprete da criança;
  4. Distinguir entre a preocupação objetiva sobre a doença e os fatores emocionais a ela relacionados;
  5. Fazer uma anamnese ampliada que não se limite à doença atual;
  6. A característica básica da relação: empatia (escutar);
  7. Prescrição compartilhada;
  8. Acompanhamento.

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