Especial Semana do Médico – Rubem David Azulay

Em 18 de outubro comemora-se o Dia do Médico. E para comemorar essa data especial, o Universo DOC, ao longo de toda a semana, presta uma homenagem a grandes nomes da Medicina brasileira, com matérias especiais publicadas originalmente na Revista DOC. Veja aqui uma entrevista com Rubem David Azulay, que falou sobre a construção de um nome em marca de credibilidade

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Ter sua competência e qualidade reconhecidas apenas com a simples menção de seu nome: este é o ápice de uma carreira. Assim como um produto identificado como “bom” ou “ruim” na prateleira do mercado somente devido à marca que apresenta ao consumidor, um profissional da Medicina carrega em seu nome a possibilidade de ser notado e respeitado pelos seus pares e pela sociedade como o melhor ou um dos melhores das especialidades em que atuam.

Nome forte, marca de sucesso

Rubem David Azulay. Este nome virou uma marca de qualidade, excelência e referência quando se fala em Dermatologia no Brasil. Com um currículo invejável e reputação impecável, o médico acumula em sua carreira diversos títulos, homenagens e menções honrosas nacionais e internacionais. Mas como se alcança esse nível de reconhecimento dentro de uma especialidade médico?

Para o maior professor da área, obstinação é a palavra-chave para toda e qualquer conquista. E essa obstinação vem desde a infância. Segundo o próprio Rubem Azulay, ele sempre foi um aluno estudioso e logo no ensino médio (antigo 2o grau) entrou em contato com as obras de Darwin, Haeckel e Dante Alighieri. Ele defende que, para criar alguma coisa, é preciso adquirir conhecimento, conteúdo e, por esta razão, ele sempre foi em busca desse conteúdo para chegar aonde queria.

Para ser um médico reconhecido e respeitado, Azulay começou seu projeto de vida pensando em cada etapa que deveria passar. A primeira delas era superar o vestibular e, depois, conseguir pagar a faculdade particular. O médico conseguiu uma bolsa de estudos, que mais tarde seria cassada. Para se manter na universidade, decidiu criar um curso paralelo de Histologia para todos os alunos reprovados da faculdade. O valor da mensalidade do curso era cobrado por aluno e Azulay conseguiu pagar o que devia e se manteve na faculdade até o fim.

De acordo com o especialista, este simples planejamento que ele realizou deve ser muito mais elaborado nos dias atuais. “É necessário planejar bem a carreira e o caminho a ser seguido, que na maior parte dos casos segue a máxima de estudar muito, trabalhar em busca da prática e buscar ser o mais qualificado em sua área de especialidade. Esta preocupação com o futuro é algo que não notamos mais nos recém-formados, que no máximo pensam sobre o lugar onde vão trabalhar e não como fazer para chegar lá”, explica Rubem Azulay.

Segundo Azulay, sua marca na Dermatologia foi criada e fortalecida através de muito trabalho e fidelidade a especialidade. “A única coisa que pode manchar o nome de um médico é deixar de trabalhar descentemente, respeitando a ética e os deveres de um profissional da Medicina. Devemos cumprir os horários marcados e estar com o foco no paciente. É através de um trabalho honesto e de qualidade com o paciente que conseguimos construir uma carreira sólida e assim um nome forte dentro de cada especialidade.

Outro fator ressaltado pelo médico na construção de sua imagem está ligado ao relacionamento com a sociedade. Para Azulay, ser referência em sua especialidade faz com que seja estimulado o desejo de retribuir para a comunidade tudo o que conquistou. A forma encontrada pelo médico é continuar trabalhando e recebendo pacientes que não podem pagar por uma consulta, em seu Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, na Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro.

“Continuo atendendo pacientes uma vez por semana, na Santa Casa, pois acho que precisamos passar nosso conhecimento adquirido durante tantos anos para os pacientes e para os jovens médicos, em início de carreira. Além disso, participo de atividades de ex-alunos e sempre compareço às homenagens prestadas. É uma forma de transmitir o que aprendi às futuras gerações”, explica o médico que será homenageado no próximo Congresso Brasileiro de Dermatologia, em Belém, no Pará.

A determinação em busca de um objetivo claro fez com que Rubem David Azulay criasse uma marca de sucesso na Dermatologia, ainda hoje revigorada. Dois de seus três filhos decidiram seguir os passos do pai e começaram a construir uma nova estrada na especialidade. Luna e David Rubem Azulay, além de clinicarem, ainda colaboram com o pai em suas pesquisas.

A vitoriosa história de Rubem Azulay

Nascido no Pará, em 9 de junho de 1917, Rubem David Azulay chegou aos 92 anos em 2009 fazendo aquilo que mais gosta na vida: atender pacientes. Na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro ou em sua clínica particular, o médico continua sendo o mesmo. Ele ensina para pacientes e jovens médicos o funcionamento da Dermatologia e a
importância dessa especialidade. E ainda hoje vibra ao lecionar.

É preciso lembrar que a Dermatologia para Rubem Azulay veio por um acaso. No primeiro dia de aula na Policlínica de Niterói, uma enfermeira perguntou quem queria trabalhar naquele ambulatório. O jovem Azulay, que queria muito um emprego, se ofereceu sem nem saber qual era a função. Era o ambulatório de Dermatologia.

Nos seus 60 anos de magistério, Rubem Azulay graduou cerca de 10 mil médicos e pós-graduou 800 dermatologistas, sendo que 20 tornaram-se professores titulares de universidades pelo país afora. No seu currículo, ele acumula os títulos de chefe honorário do Instituto de Dermatologia da Santa Casa da Misericórdia do Rio e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro das entidades Americana, Alemã, Francesa e Britânica de Dermatologia.

Rubem é também um pesquisador e, entre suas contribuições para a Medicina, estão seus estudos sobre as doenças tropicais, como a hanseníase, a leishmaniose e as micoses. Autor de mais de 700 trabalhos, um compêndio de Dermatologia (hoje, na quinta edição) e seis teses, o professor tem muita história para contar, por isso lançou sua biografia, chamada Traços de minha vida.

Em 1970, o médico ingressou na Academia Nacional de Medicina como primeiro secretário e chegou à presidência em 1995. Entre os feitos dele durante sua gestão, está o lançamento do curso de formação médica continuada pela televisão.

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